A depressão de fim de ano e suas possibilidades de amadurecimento

Depressão de Fim de Ano

Quando chegamos às festas de finais de ano, o número de pessoas depressivas tende a aumentar. Mas você consegue entender o motivo? Culturalmente, a virada de ano significa um novo começo. Porém, antes de todo começo existe um final. Quando nos deparamos com “encerramento de ciclos”, é comum pararmos para avaliar o que passou. As vitórias e derrotas. Neste momento, inevitavelmente, os problemas que enfrentamos vêm a tona, juntamente com os planos que não foram concretizados. Para algumas pessoas, esse sentimento de não ter dado certo serve como estímulo para que se programe melhor para o que virá. Porém, pessoas com indícios de ansiedade ou depressão podem se agarrar no que não deu certo e entrar em um sentimento de desesperança com relação ao futuro, um dos sintomas da depressão.  Para Winnicott o estado depressivo está associado ao amadurecimento da personalidade. O psicanalista defende que, quando o sujeito deprime, significa que sua personalidade está atingindo a maturidade. Yamada (2017) discursa que sobre a ideia do autor em relação a depressão “o mal estar e desconforto decorrem da dificuldade de aceitar os sentimentos de seu mundo interno. Embora os reconheça, não os tolera”. Tal ideia vai de encontro às sensações descritas anteriormente, trazidas implicitamente no final de um ano.  As pessoas entram em contato com erros cometidos e situações onde suas vontades não foram atendidas, trazendo sentimentos de impotência. A não aceitação do que passou é o que traz o incômodo denominado como depressão.  A depressão não é frescura, é uma doença reconhecida pelo DSM-5, que pode levar o indivíduo que a sofre ao suicídio.  A pessoa “ao concernir-se, se recolhe sempre que precisa de tempo para reordenar seu mundo, e isso se assemelha à depressão. Esse estado se repete por toda a vida, inúmeras vezes nas experiências humanas”. (Yamada, 2017) Quando tal recolhimento é algo que traz desesperança por longos períodos e, em forte intensidade, requer ajuda psicoterápica e, às vezes, medicamentosa, para que o indivíduo aprenda a ressignificar aquilo que não pode mais ser mudado.  Quando esse estado é vivenciado apenas no final/início de um novo ano, pode ser utilizado como crescimento e amadurecimento pessoal. Quando é difícil fazermos tal ressignificação sozinhos, a terapia é fortemente recomendada. O psicólogo ajuda o indivíduo a encontrar ferramentas internas de combate àquilo que não pode ser mudado. E, assim, uma futura depressão pode ser evitada. Yamada, Beatriz. A depressão na visão da psicanálise Winnicottiana. [Online]. Disponível em: https://institutobeatrizyamada.com.br/a-depressao-na-visao-da-psicanalise-winnicottiana/ Acesso em 15/12/2018.

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