Ansiedade patológica, a doença da atualidade.

Em primeiro lugar, sabemos que muitas matérias divulgadas na mídia vêm apontando a depressão como a doença da atualidade (do século).
Por outro lado, de acordo com as minhas experiências vividas no consultório e estudos realizados, venho rebater esta ideia.


Em outras palavras, apesar dos casos de depressão estarem em constante aumento, a ansiedade patológica é o transtorno mais comum na população.
Assim, a cada 10 pacientes atendidos, ao menos 08 já experimentaram sensações de ansiedade exacerbada.

Ansiedade, do que se trata?

Certamente, sensações essas que ultrapassaram os limites dos sintomas psicológicos: pensamentos acelerados, dificuldade de concentração, pensamentos obsessivos e assim por diante.
Além disso, experimentam sintomas físicos: tremores, suor, coração acelerado, fraqueza, entre outros.
Assim, muitas vezes a ansiedade aparece diante de situações específicas: antes de uma prova, antes de uma viagem, antes de uma entrevista de emprego, antes de uma mudança, seja ela pequena ou grande, etc; e pode ser vista como normal (biológica).

Quando a ansiedade é patológica.

A ansiedade passa a ser considerada patológica quando são exageradas e desproporcionais ao estimulo.


Conforme esclarece Viana (2010), a ansiedade tem uma função biológica, sendo a reação a um estado de perigo. Mais além disso, Freud complementa que também serve de auxilio na detecção antecipada de novos eventos do estado de perigo em questão.


Em suma, podemos desta forma pensar que a ansiedade seria para nos preparar para um momento de perigo.

A ansiedade é sem motivo?

Portanto, por que, então, muitas pessoas dizem sentir ansiedade “sem motivo”?


Se pararmos para observar nossas vidas, experienciamos no nosso dia-a-dia diversos medos, causados por fatores distintos.

Por exemplo, algumas experiências comuns que podem ser usadas: ter problemas de saúde ou vê-la fragilizar-se em algum acidente ou incidente, consequentemente alterando outros tantos aspectos de nossas vidas. Perder um emprego – por diversos motivos, perder pessoas que amamos, perder bens materiais, entre tantos outros medos que vivenciamos em nosso dia-a-dia.

Levando em consideração nossa realidade, somada a palavra de Freud, vivemos constantemente na espera de novos eventos de perigo, fazendo com que algumas pessoas sintam uma ansiedade constante, sem conseguir identificar a sua causa real.


Resumindo, voltando a questão trazida no título, a ansiedade patológica, de acordo com minhas experiências e pesquisas, pode ser sim considerada a doença do século.


Assim, com tudo que estamos vivenciando em nosso atual momento histórico, é raro encontrar quem nunca tenha vivenciado a ansiedade em uma forma mais intensa (patológica).

Na mesma linha de raciocínio, uma parte das pessoas que experimentam a ansiedade patológica, podem chegar a depressão, não só pelo agravamento dos sintomas de ansiedade, mas também por outros fatores que levam ao transtorno.

Além do mais, a maior parte das pessoas que tiveram ou tem depressão viveram episódios de ansiedade, considerados patológicos.
Nos levando a pensar que a ansiedade é muito mais comum do que a depressão.

Para concluir…


Muito foi discorrido sobre a origem, causas e sintomas de ansiedade, para encerrar falarei um pouco sobre o enfrentamento. Precisamos aprender a viver sem esperar constantemente por um momento de perigo. Não é simples, é um trabalho árduo e que exige dedicação.

Certamente fazendo terapia, o percurso se torna menos complexo e aprendemos a enfrentar nossos medos, nossas angustias e aceitar o que não se pode mudar. É um processo longo de aprendizado e descobrimento do seu “eu”.

Além disso, em alguns casos de ansiedade patológica o tratamento medicamentoso se faz necessário, sendo realizado por um médico psiquiatra.

Asbahr, Fernando R.; Castilho, Ana R. GL; Manfro, Gisele G.; Recondo, Rogéria. Transtornos de ansiedade. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22 s.2 São Paulo Dec. 2000. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600006>
Viana, Milena de B. Freud e Darwin: ansiedade como sinal, uma resposta adaptativa ao perigo. Nat. hum. vol.12 no.1 São Paulo 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-24302010000100006

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