Dependência e compulsão: o sofrimento de vivenciar.

Ultimamente temos visto muitas brincadeiras sobre a dependência química de Fábio Assunção. Assim já aconteceu com outros famosos como Walter Casagrande, Rafael Ilha, Amy Winehouse, entre outros. A dependência química é reconhecida pela OMS como doença, desmistificando o fato de que a dependência é questão de fraqueza.

Ninguém nasce dependente químico

Mas pode apresentar uma tendência a compulsão/dependência, que será desenvolvida ou não. Desse modo, nem sempre essa dependência é experenciada com substâncias químicas. Entretanto, podem ser vivenciadas como compulsões por alimentos, compras, sexo, jogos ou outros que tragam a sensação de bem estar.

Compulsão

Sabemos que uma característica que costuma ser comum em pessoas compulsivas é a dificuldade em falar sobre os seus sentimentos. Assim sendo, fazendo um pequeno resumo de como funcionam os mecanismos de um compulsivo, podemos pensar: “algum acontecimento gera um mal estar psíquico no indivíduo, que não sabe fazer com o que sente.” Deste modo, não conseguindo livrar-se do sentimento internamente, busca no externo alguma ação que traga alívio ao seu sentimento. Por isso, nesse momento, a pessoa pode usar alguma substância química, pode alimentar-se de forma exagerada, ter relações sexuais ou masturbar-se, jogar, comprar ou ter qualquer outra ação que a faça ter um alívio momentâneo de sua agonia. Ademais com a repetição dessas ações, o cérebro compreende que ao realizar determinada ação existe um alívio das emoções. Portanto, a partir desse momento o cérebro pede a repetição da ação em busca do bem estar, instalando-se a compulsão.

Diferença de Dependência Química e outras compulsões

Em conclusão, a maior diferença entre a dependência química e as outras compulsões é que o organismo da pessoa também passa a depender das substâncias consumidas, gerando a abstinência quando em falta no corpo. Assim sendo, trata-se de um grande agravante da situação, pois além do cérebro estar condicionado ao alívio com a substancia, o corpo também a solicita quimicamente. Mesmo que a Medicina e a Psicologia não tenham encontrado cura para a dependência, são elas, com certeza, grandes aliadas. Assim, um compulsivo em tratamento possui grandes possibilidades de manter-se controlado, mas pode ser desgastante por ser um tratamento que deve ser realizado pelo resto de sua vida. Deste modo, as recaídas costumam ser comuns, porém manter-se em tratamento é necessário para que sejam cada vez menores e até não existam mais. Quem é dependente químico ou possui alguma compulsão não precisa dos nossos julgamentos, eles estão em sofrimento e precisam de nossa ajuda.

Milman, Caroline. Adições a Drogas e a Pessoas. [Online]. Disponível em: http://sbpdepa.org.br/site/wp-content/uploads/2017/03/Adi%C3%A7%C3%B5es-a-Drogas-e-a-Pessoas.pdf/ Acesso em 26/02/2019

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