O Fim é o Início do Meio

No título, uma brincadeira boba com a ordem das palavras e o seu sentido remexido. Essa frase aqui em cima fala sobre a dimensão de finitude que nos aproxima da nossa própria-realidade. “O fim é o início do meio”. Pela fenomenologia-existencial (uma das linhas da psicologia), somos sempre implicados pela perspectiva de um fim. Mas a morte é um fantasma temido na nossa cultura, por que está falando disso? Não seria na perspectiva de um fim que se abre a possibilidade do “meio”? O fim pode fazer fugir ou aproximar-se do “meio”, do presente. De estar humildemente aqui, não necessariamente amparado pela ideia de espírito, corpo, alma, cérebro, mas sim aqui, sendo, existindo. Na frase, queria transmitir a ideia de que o comprometimento com um fim permite entregar-se ao meio, ao presente. De que a morte permite-nos pensar sobre a vida, considerações importantes acerca da existência; qual o sentido da vida e, portanto, da morte. Será radical demais dizer que isso é livre-arbítrio? Paradoxalmente, o fim nos abre possibilidades na medida em que as fecha, um (des)fecho. Isso não é necessariamente uma postura de negatividade, mas uma postura existencial que coloca a negatividade em justaposição à positividade. E não seria só no fim do percurso que saberemos, finalmente, a extensão do caminho que percorremos?

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