O que podemos encontrar quando olhamos para dentro de nós?

Em primeiro lugar, questão complexa e que não parece ter uma unanimidade na resposta.

Este “dentro de nós” é objeto de estudo de muitas áreas. Pode variar, e muito, caminhando entre diversas concepções da psicologia, filosofia, neurologia e medicina. Varia tanto no modo de responder quanto na forma de perguntar.

Desse modo, tentarei fazer um contorno teórico com as visões que tenho maior afinidade dentro da psicologia e filosofia.

Jung e a Psicologia Analítica

Para Jung, nos primeiros passos, neste olhar interior, está a apropriação por parte da consciência dos conteúdos do inconsciente pessoal.

Por exemplo, o reconhecimento da própria sombra (conteúdos da periferia de nossa consciência, violentos, insalubres, temerosos ou, pelo contrário, gloriosos, virtuosos).

Em poucas palavras, a sombra é algo que não sabemos de nós, pois estamos, digamos assim, “ofuscados pela luz”.

Sendo assim, para Jung, podemos estar (des)encontrados em  personagens de nós mesmos, facetas que desenvolvemos para nos adaptar ao mundo, nossa “persona”.

A sombra, apesar do pré-conceito da palavra, não significa lado ruim. Na sombra podem haver tanto características positivas quanto negativas carecem de ser incorporadas da personalidade.

Freud e a Psicanálise

Freud, estabeleceu um marco de saber, uma expansão que ele proporcionou sobre a ciência da psicologia humana.

Para ele, a principio, o inconsciente parece ter morada no cérebro (biologia) e “fazer fronteira” com o pré-consciente e consciência.

Consequentemente, ali estão os pensamentos recalcados não aceitos pela moral na constituição da personalidade e no nosso desenvolvimento enquanto cidadãos.

Para Freud, ao olhar “para dentro”, ultrapassando a repressão, veríamos um local de memórias remotas, conteúdos arcaicos, desejos, conteúdos instintivos.

A filosofia de Heidegger e Husserl

No campo da filosofia de Heidegger e Husserl, “olhar para dentro” carece, ao mesmo tempo, “olhar pra fora”. O homem, em seu contexto histórico, está marcado pela existência e pelo tempo.

Deste modo, este que foge de si para não sofrer, marcado pela própria história e a própria existência, também é, a todo momento, atravessado pela história de seu povo, cultura e o mundo (de sentidos) em que se encontra.

Um mundo compartilhado e social. Para Heidegger, não há nada no fundo de nosso ser, somos seres de abertura e possibilidade.

Essa ideia muda para os novos autores em fenomenologia, que irão criticar positivamente a questão do desejo e a presença do outro no nosso desenvolvimento.

Na visão existencial, somos atravessados e sofremos o apelo de nosso passado, presente e futuro.

E, mais radical: o apelo da morte, em que, na melhor das hipóteses, nos atira novamente para a vida e para tomar nosso próprio rumo.

Para concluir:

Acho que muito se pode encontrar na literatura sobre psicologia e filosofia acerca do nosso povoado mundo interior. Psicanalistas e filósofos contemporâneos parecem aproximar cada vez mais estes grandes saberes e correntes de pensamento.

Em conclusão, muito difícil sintetizar estas ideias em justaposição, mas, a meu ver, cada linha traz uma nota importante e ajuda a compreender melhor essa ópera humana em seu dinamismo e complexidade.

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