Relacionamentos de Bolso

No primeiro ano da faculdade de psicologia um professor falava sobre a invisibilidade humana e os relacionamentos descartáveis e me interessei em saber mais sobre o assunto, consequentemente esse acabou sendo o tema do meu trabalho de conclusão de curso.

Foquei no estudo dos relacionamentos afetivos entre os adolescentes na atualidade, relacionamentos esses considerados descartáveis, pois são momentâneos, costumam durar apenas alguns minutos ou horas. 

Podemos dizer que vivemos em um mundo descartável, onde os jovens são motivados pela sociedade de consumo, de bens materiais ou emocionais. Os jovens entram nesses relacionamentos com a consciência de que não pode haver amor à primeira vista e onde ninguém deve satisfação a ninguém, são relacionamentos sem compromisso.

Os jovens parecem ter medo de amar, de sofrer e de se decepcionarem ao descobrir que o outro não lhe traz a tão desejada felicidade. Felicidade essa alcançada quando o relacionamento é harmonioso, onde ambos se dão bem e não há traição. Como os jovens já não sentem mais essa firmeza nos relacionamentos atuais, eles se prendem ao medo e passam a viver os “relacionamentos de bolso”.

“Relacionamentos de bolso” é um termo utilizado pelo teórico Bauman, que são relacionamentos curtos, o mesmo compara estes com Vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde.

Esta é a sociedade onde vivemos hoje, onde vemos cada vez menos relacionamentos duradouros.

A pergunta que fica é – Será que os jovens têm medo de amar e sofrer?

Podemos verificar que os relacionamentos atuais se baseiam no “ficar”, relacionamentos esses sem compromisso, para que homens e mulheres se conheçam antes de arriscarem um namoro.

Há uma grande diferença entre os relacionamentos atuais e antigos. Nos relacionamentos atuais não há comprometimento como antigamente, hoje tudo acontece muito rapidamente, as pessoas utilizam o “ficar”, para conhecer pessoas, quando encontram afinidades e se identificam resolvem seguir algo mais sério, caso contrário a pessoa é dispensada na mesma noite ou quando acabar a “curtição”.

Portanto percebemos que o “ficar”, que Bauman chamou de “relacionamento de bolso”, é um relacionamento que não tem prazos, pode durar algumas horas, uma noite, uma semana e desse tipo de relacionamento pode surgir o namoro. Pode-se dizer que no “ficar” não há envolvimento sentimental, dedicação e comprometimento. O fato de estar “ficando” com uma pessoa não a impede de “ficar” com outras pessoas, justamente pelo fato de não existir compromisso.

Na adolescência essa fase do “ficar” é importante, pois é a fase em que o adolescente está construindo sua identidade, buscando coisas e pessoas que se identifiquem, é a fase em que o jovem sofre grandes transformações antes de se tornar um adulto.

Entendemos que os jovens buscam esse tipo de relacionamento para satisfazerem suas vontades, para “curtir” numa noite na balada, enfim, a princípio é algo sem compromisso, caso haja identificação entre ambas as partes, a “curtição” vira algo mais sério, caso contrário acaba rapidamente.

Os relacionamentos breves estão ligados à necessidade do adolescente explorar diferentes identidades.

Com o surgimento dos aplicativos de relacionamentos tudo acabou ficando muito fácil, o aplicativo é como um cardápio de restaurante, onde você escolha o que lhe agrada, curte, conversa e por fim marca um encontro, que pode ser considerado um encontro às escuras.

Nas últimas décadas acelerou-se a precariedade dos relacionamentos amorosos, hoje as relações têm características com maior predominância da individualidade, superficialidade, pouco investimento e instabilidade.

Portanto entende-se que a sociedade está mergulhando no individualismo, onde o sujeito se encontra num mundo sem valores fixos, desnaturalizado, onde ele deve achar seus próprios valores e fazer suas escolhas.

BAUMAN, Z. Amor Liquido: sobre a fragilidade dos laços humanos.Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 2004. 129 p,

MEIRELLES, S. Relacionamentos descartáveis. Disponível em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/04/10/295297064.asp. Artigo jornal o globo online 10 Abril 2007. Acesso em: 09 Março 2009

SANTOS, L. R. Antes do namoro o ficar. Disponível em: http://www.revistapsicologia.com.br/materias/hoje/m_hoje_antesdonamoro.htm. Data de Publicação: 1995. Acesso em: 18 Abril 2009.



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